terça-feira, maio 18

Hipertensão I

Muito se tem falado sobre hipertensão nos últimos tempos.
Sinal de que estamos mais estressados e menos atentos a nossa saúde.
Até a famosa pressão "12 por 8" não é mais considerada normal.
Segundo estudos recentes ela passou a ser considerada pré-hipertensão.
Apesar que nem todos da área médica concordem com essas alterações, é melhor não abusar.
Segundo meu novo livro de cabeceira (A matter of health: integração do yoga e medicina ocidental para prevenção e cura), “não há mais dúvidas no papel que a mente exerce na causa da hipertensão essencial”.
Hipertensão essencial é a mais comum, aquela que não tem uma causa aparente.
É um equívoco pensar que o envelhecimento é causa para hipertensão.
A média universal para seu aparecimento é em torno dos 30 anos e ás vezes até mesmo bebês podem sofrer disso. Fatores psicológicos, fisiológicos e ambientais são três dos muitos fatores que levam á doença.”
Lembram do hipotálamo, que foi citado no texto sobre menstruação?
Pois é, ele entra aqui de novo.
Aliás, no post de amanhã.

quinta-feira, maio 13

Diferenças reais

Essa semana, 2 meses após a volta da Índia, Satiko finalmente me deu um cd com as fotos que ela tinha tirado na máquina dela.
No fundo, eu queria ver as fotos do dia que visitamos a "teia da sobrevivência" em Varanasi. Pois foi justamente quando estava sem minha máquina.
E vendo essas fotos é impossível não considerar a questão cultural na prática do yoga.
A forma como trabalhamos os asanas com certeza não vai se diferenciar só de pessoa pra pessoa, mas de país pra país.
Imagine que você que vive o dia inteiro sentado numa cadeira e quando chega em casa senta num sofá vai ter a mesma tranquilidade, que um japonês por exemplo, em ficar ajoelhado numa aula de yoga.
Agora lembrei também de um episódio da minha infância.
Quando eu ia nas reuniões do budismo tinha que tirar o sapato pra entrar na casa da pessoa e a gente sentava no chão mesmo, só com tapete, não tinha nem almofada nem nada.
Era dureza! Literalmente. rsrsrs
Bom, seguem algumas fotos:   

Tecelões em Varanasi: você se imagina trabalhando um dia inteiro em cócoras ou em lótus?


Uma dica: faça uma privada como essa que em poucos dias a posição de cócoras vai ser moleza. rsrsrsrs

sábado, maio 8

Centro de forças

Quando fiz minha pós graduação em ginástica corretiva aprendi que existiam formas de avaliação postural que iniciavam sua “correção" pelos pés e outras pela pelve (bacia).

Na época pra mim, fazia mais sentido iniciar pelos pés porque afinal de contas eles sustentavam o peso do nosso corpo, recebiam o impacto direto do solo e eu achava que acertando a pisada o resto acompanharia.
Ao longo das experiências e vivências, tive contato também com uma técnica corporal que tem como base de trabalho a região cervical (pescoço). Maluco né? Pois é, é a Técnica de Alexander.
Alexander era ator e depois que teve problemas com a voz, desenvolveu sua técnica. Que é fantástica!
Bom, acontece que há tempo atrás, depois que comecei a perceber as limitações de movimento dos meus quadris comecei a olhar para essa região com outros olhos e percebi que o buraco não era nem mais em cima, nem mais embaixo: era no meio.
E hoje, no curso de biomecânica tive uma explicação fisiológica disso:
Todas as forças que atuam no nosso corpo, seja da parte de cima  (tronco) ou da parte de baixo (pernas) passam por um ponto em comum: o osso sacro. Ele é o responsável por “distribuir” essas forças simetricamente.
o sacro é centralizado e tem uma forma meia
achatada, depois dele começa o cóccix, que é o que
restou do nosso "rabinho"


Isso quer dizer que, se essa região (do osso sacro e seus ligamentos) tiver qualquer probleminha, essa distribuição de forças ficará comprometida, fazendo com que surjam compensações (já que o corpo sempre dá um jeito para continuar se movimentando) e provavelmente desalinhamentos na coluna, nas pernas e... nos pés.

quinta-feira, maio 6

Invertidas X menstruação



Geralmente traduzimos prana como “energia”, mas na verdade essa energia ou força vital é dividida em cinco tipos, que são chamados de vayu.
Enquanto prana vayu regula as funções de entrada de energia (como a respiração), apana vayu  regula as funções de eliminação (excreção, urina, menstruação) e controla também o fluxo descendente da energia no corpo, já que ela é mais ativa na região pélvica e abdome inferior, o local do mula bandha.*
No nível sutil, apana não só elimina resíduos físicos, mas qualquer coisa que seja indesejável ou ameaçador para a boa saúde.
Ele dá suporte ao sistema imunológico e ajuda a manter a mente livre de forças destrutivas.
Feito esse resumo, dá pra gente entender porque as posturas invertidas são proibidas no período menstrual. Aliás, as invertidas e também a ação de mula bandha*, que a gente acaba fazendo naturalmente nas posturas extenuantes.
Elas confundem o movimento de expulsão do apana vayu e a longo prazo podem causar alterações no fluxo menstrual, inibindo-o ou até mesmo interrompendo-o.
Resíduos tóxicos fazendo "hora extra" na região pélvica boa coisa não pode dar, portanto mulheres, ajudem o seu corpo!
Seguem posturas simples (todas as desse post) de fazer nesse período. Usem o que estiver ao alcance de vocês para proporciona o máximo de conforto: cobertor, travesseiro, almofada, toalha, cadeira, etc.




                                      




*mula bandha = suave contração do assoalho pélvico

sábado, maio 1

A poesia do ciclo menstrual

Eu achava que a idéia de cortar o cabelo na lua crescente (coisa que faço sempre) era supersticiosa demais, afinal de contas, mesmo que eu não corte o cabelo ele vai crescer!
Mas, a ligação entre a lua e nós mulheres vem de bem longe... e no assunto de hoje, vem diretamente da medicina ayurvédica.
Segundo ela, o nosso ciclo menstrual se assemelha as fases da lua.

"Por meio de uma complexa dança hormonal, seu corpo prepara o útero para receber o óvulo fertilizado. Você entra num estado de plenitude quando ovula. A ovulação marca o período do mês em que você se sente mais viva, radiante e cheia de energia; afinal, como fêmea humana, esse é o momento em que você está mais interessada em atrair o parceiro. Uma vez que o óvulo fertilizado se implanta no revestimento uterino (ou, ao contrário, você não fica grávida), seu nível de energia recua e seu foco volta-se para dentro. A imagem do lado escuro da lua, como a própria menstruação, é uma imagem de casulo, de reflexo e de sonho. Você é direcionada para fora quando ovula (energia da lua cheia) e direcionada para dentro quando menstrua (reflexo da lua nova).”*

orgãos reprodutores

Pois é... nossa feminilidade está diretamente relacionada com essa “dança hormonal”, por isso eu acho que seria necessário olhar para esse período ou para a falta dele (a menopausa) com bons olhos.
A prática do yoga nos dá uma mãozinha nessa hora, ajudando-nos a reconhecer isso e passar a observar melhor nossas alterações de humor, de disposição, de criatividade, de reflexão e principalmente de isolamento.
E outra coisa interessante também é que o ciclo menstrual pode ser utilizado como um "indicador" da saúde, que é bem preciso por sinal. Aliás, bem preciso para aquelas que tem o ciclo regular.

Onde começa a menstruação?
No útero? Não.
No cérebro. Lá na glândula pineal.

* Yoga para a saúde do ciclo menstrual pág. 12

A poesia do ciclo menstrual - 2

sistemas endócrino e reprodutor

É ela quem dá o aviso ao hipotálamo quando chega a hora. Aí o hipotálamo fornece para uma outra glândula, a pituitária, o que ela precisa para produzir nossos hormônios de reprodução. Esses hormônios (com nomes estranhos) estimulam a produção dos conhecidos estrogênio e progesterona nos ovários. Essa ação começa no 1ºdia do ciclo, quando começamos a menstruar.
Talvez você possa estar pensando e daí?
E daí é que, quando você descobrir pelo que mais essas glândulas e o hipotálamo são responsáveis você entender o que é a tal relação (que já virou clichê) “mente-corpo”significa.

First of all: a glândula pineal por muito tempo foi considerada a “morada da alma” e corresponde ao famoso “terceiro olho” que é o chakra da intuição. Ela produz a melatonina, que regula o sono. Ela não está no esquema acima, mas é localizada abaixo do hipotálamo, bem onde passa a seta da pituitária.
A glândula pituitária por sua vez, produz mil hormônios e é considerada a glândula “mestra” do nosso organismo. Ela tá ligada a tudo: ao crescimento, concentração de glicose, gordura, água, sais, reprodução... quase tudo o que fazemos.
O hipotálamo controla a temperatura corporal, o apetite e o balanço de água no corpo.
É o principal centro da expressão emocional e do comportamento sexual e faz a integração entre os sistemas nervoso e endócrino, citado acima.

Ou seja, há mais poesia no ciclo menstrual do que julga nossa vã filosofia...
E ainda tem gente que acha que o hatha yoga trabalha só corpo... Dá pra entender?

sexta-feira, abril 30

Convite


Esse evento do Sesc "Yoga e suas vertentes" é aberto ao público em geral, então quem quiser dar um pulinho lá é só escolher o dia.
A participação depende da ordem de chegada, pois serão distribuídas senhas.
Aos sábados a aula começará às 15:00 e aos domingos às 10:30.
Segue abaixo a programação.


IYENGAR YOGA
NO SESC SANTANA
LUCIANA GOMES - profª certificada


PROGRAMAÇÃO  de 01/05 a 30/05
01/05 (SÁBADO) ÊNFASE - POSTURAS DE EQUILÍBRIO
02/05 (DOMINGO) ÊNFASEPOSTURAS DE PÉ
08/05 (SÁBADO) ÊNFASEPOSTURAS SENTADAS *
09/05 (DOMINGO) ÊNFASEMOBILIDADE DO QUADRIL
15/05 (SÁBADO) ÊNFASE POSTURAS DE RELAXAMENTO
16/05 (DOMINGO) ÊNFASEPOSTURAS DE TORÇÃO*
22/05 (SÁBADO) ÊNFASEPOSTURAS DE FORÇA*
23/05 (DOMINGO) ÊNFASEPOSTURAS DE EXTENSÃO*
29/05 (SÁBADO) ÊNFASEFLOW (AULA DINÂMICA)*
30/05 (DOMINGO) ÊNFASEPOSTURAS INVERTIDAS*

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES (aulas com asteriscos)
08/05 - NÃO INDICADA PARA PESSOAS COM PROBLEMAS NOS JOELHOS
16/05 – NÃO INDICADA PARA GESTANTES, MULHERES NO PERÍODO MENSTRUAL E
PESSOAS COM HÉRNIA DE DISCO
22/05 - NÃO INDICADA PARA GESTANTES E MULHERES NO PERÍODO MENSTRUAL
23/05 - NÃO INDICADA PARA GESTANTES
29/05 - INDICADA PARA PESSOAS COM BOM CONDICIONAMENTO FÍSICO
30/05 - NÃO INDICADA PARA GESTANTES, MULHERES NO PERÍODO MENSTRUAL, PESSOAS
COM PROBLEMAS NA CERVICAL, CONSTIPAÇÃO E GLAUCOMA

quarta-feira, abril 28

Iyengar Yoga

No próximo mês participarei de um evento no Sesc Santana chamado "Yoga e suas vertentes", onde a cada mês é vivenciado um método de yoga.

Nesse mês de abril as aulas foram de hatha yoga (suponho que clássico) e em maio serão de Iyengar Yoga.
Fazendo a programação das aulas me dei conta de que, quando a gente se acostuma com uma coisa, a gente dá aquilo por certo e muitas vezes esquece do seu encantamento.
Me lembro, por exemplo, quando eu ouvi falar a primeira vez sobre a sequência de posturas para o período menstrual, durante a formação.
Eu fiquei encantada. Porque por trás daquilo não existia só as questões físicas, mas também toda uma filosofia de respeito por aquela fase delicada e introspectiva da mulher.
Pelo fato do Iyengar estar vivo, o método tornou-se muito dinâmico e a cada dia ele se adapta mais e mais a vida moderna.
E isso faz muita diferença, porque um dia você tá menstruada, no outro tem energia pra dar e vender, no outro você tá com o braço enfaixado, no outro descobriu que tem pressão alta, no outro tá com diarréia e assim vai...


“A ciência do yoga não demarca o limite entre o corpo e a mente, mas aborda-os como uma entidade única e integrada. O tumulto da vida diária estressa o corpo e a mente, criando ansiedade, depressão, inquietação e cólera. Embora pareçam dirigir-se apenas ao corpo físico, os asanas do yoga influenciam o equilíbrio químico do cérebro, o que, por sua vez, melhora o estado mental da pessoa.”


Iyengar yoga - posturas básicas pág. 11

segunda-feira, abril 26

Bônus

Gente, que surpresa tive hoje:
O Ale Ceneviva, que é produtor do Login, me enviou pelo facebook um "bônus" da matéria.
É a minha resposta sobre o que eu aprendi com a viagem a Índia.

http://www.tvcultura.com.br/login/videos/exclusivos/2010-04-21/25227

sexta-feira, abril 23

Coisas boas de reler

Meu primeiro contato com esse texto foi no Museu da Língua Portuguesa (lugar inclusive, que é imprescindível visitar) e outro dia o reencontrei na exposição do metrô Santa Cecília.

"E, como sou filósofa – continuou Emília –, quero que minhas Memórias comecem com a minha filosofia de vida.
– Cuidado, marquesa! Mil sábios já tentaram explicar a vida e se estreparam.

– Pois eu não me estreparei. A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda até que dorme e não acorda mais. É portanto um pisca-pisca.
O Visconde ficou novamente pensativo, de olhos no teto.
Emília riu-se.
– Está vendo como é filosófica a minha ideia? O Senhor Visconde já está de olhos parados, erguidos para o forro. Quer dizer que pensa que entendeu… A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.
– E depois que morre? – perguntou o Visconde.
– Depois que morre vira hipótese. É ou não é?" *

kkkkk... "pisca e geme os reumatismos".
Muito bom não levar tudo tão a sério.
Sorria!!!!

*Memórias de Emíla - Monteiro Lobato